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27 de março de 2017

CEO da Itamarati revela sobre investimentos na usina e o mercado de açúcar

Jose Arimatea Calsaverini, diretor presidente (CEO) da Usinas Itamarati fala sobre perspectivas de safra e projeto para os próximos 5 anos

JornalCana – por Delcy Mac Cruz

A Usinas Itamarati, com unidade produtora no município de Nova Olímpia (MT), realiza investimentos para gradativamente alcançar moagem de 6,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que equivalem a 100% de sua capacidade. Na safra 2016/17, a unidade chegou a 4,5 milhões de toneladas.

Em entrevista ao JornalCana, o CEO da Itamarati, José Arimatea Calsaverini, o Ari, comenta sobre investimentos e sobre a estratégia da companhia de focar sua produção de açúcar para os estados da região Norte do país.

A usina mantém a vocação de distribuir sua produção de açúcar no varejo dos estados da região Norte do país. Conte a respeito.

José Arimatea – A Itamarati nasceu na década de 80 como destilaria. Ao começar a fabricar açúcar, em 1993, uma das grandes estratégias devido às dificuldades de acesso a portos, e à localização da unidade, foi investir em como colocar o açúcar em condições mais adequadas de preços. Daí foram desenvolvidos malha logística, centro de distribuição e construída a marca Itamarati. Foi trabalho de longo prazo. Uma das grandes alavancas que garantem os resultados da usina hoje é atender o mercado varejista da região Norte do país.

Como deverá ficar a moagem da safra 2017/18?

José Arimatea – Deveremos repetir as 4,5 milhões de toneladas processadas na safra 16/17

Qual o percentual de cana própria da Itamarati?

José Arimatea – 70%

Como devem ficar as produções de açúcar e de etanol na 17/18?

José Arimatea – Ao redor de 4,2 milhões de sacas de 50 quilos de açúcar branco. E 210 mil metros cúbicos de etanol, sendo um pouco mais da metade de anidro.

Em termos de varejo, o hidratado tem preço competitivo ao da gasolina na região Norte?

José Arimatea – No Mato Grosso, quase sempre. Em Rondônia e Amazonas, por exemplo, existem questões que atrapalham a competitividade do hidratado perante a gasolina.

A Itamarati realiza investimentos para ampliar a produção?

José Arimatea - Na indústria estamos fazendo basicamente investimentos de atualização e recuperação da capacidade produtiva. A usina já possui capacidade de moagem muito grande. O que fazemos é recuperar essa capacidade, tornar a operação mais estável, e também fazer a produção mais açucareira no processo de manutenção anual, para recuperar gradativamente a flexibilidade.

E os investimentos em cana para atender a essa capacidade?

José Arimatea – Mesmo sem expansão de área, temos um potencial de, ao longo dos anos, atender a capacidade completa da Itamarati. Temos um projeto ambicioso de 5 anos de recuperação da produtividade do canavial, através de um convênio firmado com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e o apoio de grandes especialistas como Marcos Landell, Gaspar Korndorfer e Hélio do Prado. Os programas apoio e desenvolvimento conjunto voltados para os fornecedores de cana também são parte central desta estratégia.

Significa ganho de produtividade.

José Arimatea – Sim, para citar um outro fator importante, temos 28 mil hectares fertirrigados em uma estrutura de fertirrigação exemplar.

O Mato Grosso hoje é o principal estado produtor de etanol de milho. A Itamarati pretende investir no uso do grão para fabricar biocombustível?

José Arimatea – O etanol de milho é uma das grandes oportunidades do Mato Grosso e tem que permanecer no radar. O Mato Grosso é um estado produtor de milho, com dificuldades logísticas de escoamento. Sendo assim, se o milho é industrializado localmente tem-se vantagens . Por isso o etanol de milho tem de ficar no radar de todos.