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20 de abril de 2017

“De superação, a mulher entende bem”

Em entrevista ao JornalCana, a gerente de Recursos Humanos da Usinas Itamarati, Cinthia Xavier Martins de Lima conta como foi a evolução do papel da mulher dentro do setor sucroenergético e como elas ganharam seu espaço que ainda hoje precisa crescer mais e ser mais valorizado.

JornalCana – Por Luiza Barsi, de Valinhos (SP)

O JornalCana a entrevistou como forma de homenagear a todas as mulheres envolvidas com o setor sucroenergético. Veja a entrevista comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março:

JornalCanaQuais são as principais dificuldades da mulher dentro do setor?
Cinthia Xavier Martins de Lima – Historicamente, até há alguns anos só se admitia mulheres para as atividades administrativas, rural (manual), limpeza e alimentação. Essas atividades eram entendidas como as mais apropriadas às mulheres, por questões culturais e até de preconceito. Essa foi a grande barreira que nós tivemos que romper no setor. As mulheres acabavam se acomodando e aceitando essa situação. Para fazer a mudança, elas precisaram voltar a estudar e se qualificar a fim de buscar outras oportunidades que não eram, até então, disponibilizadas. Foi necessário que elas se qualificassem em outras áreas como, por exemplo, nas operações de mecanização agrícola e nos processos industriais. Um outro grande desafio foi romper os paradigmas internos quanto à sua “condição feminina”, de “fragilidade e necessidades especiais”.

JornalCanaQuais são as medidas da Itamarati para ajudar na inclusão da mulher e para acabar ou reduzir a mentalidade machista e sexista em muitas empresas?
Cinthia – Seria necessário criar programas em várias vertentes, como na aceleração da escolaridade; qualificação e aperfeiçoamento nas operações agrícolas e industriais, além da mudança da cultura sobre as condições de trabalho para o público feminino e conscientização e valorização da mulher. O tema vem sendo trabalhado interna e externamente na Semana Socioambiental há 10 anos aqui na empresa e em todos os eventos, reuniões e oportunidades. Além disso, precisamos ter um olhar crítico e cuidadoso nos processos seletivos internos.

JornalCanaQuais são os motivos que as mulheres têm para comemorar neste mês de março?
Cinthia – Motivos não faltam para comemorarmos. A mulher ganhou autonomia, projeção social e política, respeito e valorização no mercado de trabalho. Estão ocupando outros cargos nas empresas, anteriormente destinados aos homens. Ganhamos destaque nas redes sociais e conscientização quanto aos nossos direitos como mulher, mãe e cidadã.

JornalCanaO número de mulheres no setor anda crescendo? Vai crescer mais?
Cinthia – O número de mulheres vem crescendo muito e não vai parar. É uma realidade que não tem volta. Mulheres são estudiosas, cuidadosas com seus equipamentos, quebram menos as máquinas e veículos, controlam os próprios temperamentos e são muito focadas em resultados.

JornalCanaQuais medidas precisam ser tomadas para melhorar ainda mais esse cenário?
Cinthia – O Brasil precisa avançar em políticas públicas para mulheres. Assim como as empresas precisam de políticas e projetos especiais para a inclusão da mulher, dando a elas os mesmos direitos ao crescimento na carreira e salários iguais aos dos homens. Quando a mulher aumentar sua representatividade no panorama político do país, poderá fazer com que as mudanças necessárias à quebra de paradigmas das minorias e do sexo frágil sejam finalmente realizadas e superadas. E de superação, a mulher entende bem.

Leia a edição de Abril/2017 do JornalCana.